Notícias sobre a revista e o mercado
03/01/12
O Brasil do presente
*Por Geuma Campos do Nascimento
Como diz o ditado popular, o futuro a Deus pertence, mas, no caso do Brasil, Ele já nos entregou o amanhã. Somos o país do presente, aquele que atrai a atenção e o interesse de todo o mundo. Já podemos observar isso com a grande entrada de estrangeiros que vêm para trabalhar e com o aumento de empresas multinacionais que investem aqui e abrem as suas filiais.
Tudo isso é um reflexo do momento econômico pelo qual estamos passando, depois de sairmos na frente na superação da crise de 2008/2009. Ainda hoje, como sabemos, a Europa e os Estados Unidos estão enfrentando problemas sérios – para não dizer críticos – por conta de suas desventuras fiscais. Lá, as medidas anticíclicas não tiveram sucesso e ainda agravaram as dívidas soberanas.
Na última semana de 2011, tivemos uma grande notícia econômica – a melhor em muitos anos. O Brasil ultrapassou o Reino Unido, tornando-se a sexta economia mundial. E, neste mesmo ritmo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que seremos a quinta economia até 2015. Por conta disso, temos um grande trabalho pela frente: manter o crescimento e, de preferência, sustentável.
Para conseguirmos tudo isso, temos de nos preparar – e em todos os setores. Inicialmente, precisamos nos conscientizar de que, com toda essa expansão econômica, precisaremos de profissionais mais qualificados e preparados. Não há outra saída. E, nesta área, há um tripé de grande importância: família, escola (do ensino primário ao superior) e governo. Um exemplo atual da falta de mão de obra qualificada é com a chegada da Copa do Mundo, em 2014. Estamos importando profissionais para suprir as nossas necessidades.
Mesmo com a melhora da empregabilidade, a distribuição de renda ainda é um fator complicador do País. A qualidade de vida de muitos brasileiros ainda é precária. Não adianta apenas fazer ações sociais. Não adianta dar apenas o peixe; temos de ensinar a pescar. E isso está ligado, totalmente, à educação.
As empresas também precisam entender o momento que estamos vivendo para, assim, conseguir se adaptar e atuar, de maneira eficiente, nesse novo mercado. Procurar ajuda de profissionais externos, como consultorias com foco em gestão de processos e governança corporativa, dentre outras, é de grande valia. Outro ponto do qual não se pode esquecer – e, como sempre, envolve educação – é a permanente capacitação dos profissionais.
Não podemos ficar parados. Este ano, 2012, promete trazer grandes resultados econômicos para o Brasil, mas, para continuarmos sendo o país do presente, precisamos solucionar as questões pendentes e nos adaptar de modo definitivo aos desafios da competitividade do mercado mundial.
*Geuma Campos do Nascimento é mestra em contabilidade, sócia da Trevisan Outsourcing e professora da Trevisan Escola de Negócios. E-mail: geuma@trevisan.com.br.
28/12/11
Brasil encerra 2011 como a 6ª maior economia do mundo
A maior economia da América Latina se tornou, em 2011, a sexta maior potência econômica do mundo. É o que revela a reportagem publicada nesta semana pelo jornal britânico The Guardian.
De acordo com a matéria, a crise bancária de 2008 e a subsequente recessão fizeram com que o Reino Unido caísse no ranking para o sétimo lugar, ficando atrás do Brasil.
Segundo o chefe-executivo do Centro de Pesquisa para Economia e Negócios (CEBR, em inglês), a tabela de classificação econômica mundial mostra como o mapa econômico está mudando. Ainda segundo o CEBR, a economia brasileira deverá crescer 2,5% em 2012, após avançar 2,8% neste ano.
30/09/11
Delegação alemã vem ao Brasil à procura de novos negócios
Uma delegação de 16 empresários alemães, originários da Baixa Saxônia, estará na próxima segunda-feira, dia 3 de outubro, na Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, para participar de uma rodada de negócios. Representando empresas de pequeno e médio portes que atuam em setores diversos, os empresários vêm ao Brasil para explorar novas oportunidades de negócios – distribuição, representação comercial, joint-ventures e até mesmo fornecimento de matérias-primas.
A Baixa Saxônia, cuja capital é Hannover, é um dos estados mais importantes da Alemanha, com cerca de 8 milhões de habitantes e infraestrutura moderna, integrando autoestradas, ferrovias, vias fluviais e aeroportos. Um projeto de grandes dimensões com o qual aquele governo está envolvido é o terminal de contêineres de JadeWeser Port, em Wilhelmshaven. Com previsão para ser inaugurado em agosto de 2012, deverá ser o terminal mais moderno do mundo. Sua construção visa desafogar os portos de Hamburgo e Bremen.
O território da Baixa Saxônia abriga a sede da Volkswagen (na cidade de Wolfsburg) e da fábrica de pneus Continental. Em 2010, a região exportou € 736 milhões para o Brasil e recebeu € 1,416 bilhão em produtos brasileiros.
23/09/11
Exportações brasileiras para os países árabes crescem 32% em 2011
A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira registra aumento expressivo nas relações comerciais entre árabes e brasileiros no período de janeiro a agosto de 2011, confirmando as boas expectativas para este ano.
As exportações brasileiras para os países árabes totalizaram US$ 9,7 bilhões no acumulado de janeiro a agosto de 2011, o que representa um crescimento de 32% em relação ao mesmo período de 2010. As importações provenientes dos países árabes também registraram aumento expressivo, fechando o mesmo período com US$ 6,4 bilhões e crescimento de 43% em relação ao ano anterior.
Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as instabilidades registradas neste ano em alguns países árabes não estão comprometendo os resultados. “O relacionamento comercial entre Brasil e países árabes tem se mostrado aquecido durante todo o ano”, diz Michel Alaby, diretor geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Do total de US$ 9,7 bilhões registrado pelas exportações brasileiras no acumulado de janeiro a agosto de 2011, a Arábia Saudita lidera como principal destino, registrando US$ 2,35 bilhões e crescimento de 26% em relação ao mesmo período de 2010. Em seguida está o Egito (US$ 1,47 bilhão e elevação de 27% em relação a 2010) e Emirados Árabes Unidos (US$ 1,40 bilhão e 32% de variação positiva).
As importações brasileiras provenientes dos países árabes também obtiveram ótimo desempenho no período acumulado de 2011, registrando US$ 6,4 bilhões e crescimento de 43% em relação ao ano anterior. A Argélia lidera registrando US$ 2,72 bilhões e aumento de 32%, seguida da Arábia Saudita (US$ 2,07 bilhões e crescimento de 62%) e do Marrocos (US$ 631 milhões e variação positiva de 55%).
Fonte: Secex (Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)
16/02/11
Consumo recorde de plásticos e o avanço das importações
*Por José Ricardo Roriz Coelho
A indústria brasileira de transformação do plástico, integrada por 12 mil empresas e empregadora de 343 mil pessoas, deverá estabelecer um recorde em 2010: segundo é possível avaliar nos dados que estão sendo tabulados, o consumo interno de seus produtos deverá alcançar 5,7 milhões de toneladas. A estimativa é a de que o setor, que somente no primeiro semestre do ano passado, contratou 19 mil trabalhadores, tenha crescimento médio de 10% no presente exercício em relação a 2009, decorrente da expansão de 12% do segmento de laminados, 9% das embalagens e 8% dos demais itens. A recuperação observada em 2010, depois dos efeitos da crise mundial nos dois últimos anos, deverá consolidar-se em 2011, quando o mercado tem a expectativa de atingir novos recordes de produção, continuando sua expansão em 2012.
Quanto às exportações, o volume deverá alcançar 330 mil toneladas em 2011, com um provável crescimento de 8% em 2012. Nos dois próximos anos, a América Latina deverá continuar sendo o principal destino de nossas vendas externas, representando entre 55% a 70% do total. A Argentina é a maior compradora. O segundo grande mercado deverá ser a União Europeia. Os produtos exportados mais recorrentes continuarão sendo os filmes de BOPP e demais laminados plásticos.
Quanto às importações, em 2010 o seu crescimento deverá situar-se acima de 30% em relação ao ano anterior. Em 2011, estima-se que a expansão das importações em relação a 2010 seja de 15%, e se a atual dificuldade cambial mantiver-se, combinada com o bom ritmo de crescimento do setor industrial, as compras externas em 2012 infelizmente ocuparão um espaço ainda maior da nossa demanda. Nos dois próximos anos, a China continuará sendo o maior exportador ao Brasil, seguida dos Estados Unidos. Os itens que nosso país mais compra no mercado externo são os laminados autoadesivos e os filmes para as mais variadas aplicações.
Para que os números da produção, do consumo interno e das exportações sejam cada vez mais positivos e no sentido de que possamos reverter o preocupante quadro de crescimento das importações, é fundamental que o governo da presidente Dilma Rousseff e a nova legislatura federal, a serem empossados em 1º de janeiro, solucionem alguns gargalos estruturais, que vêm prejudicando bastante o setor do plástico e a indústria de transformação como um todo. A primeira e inadiável lição de casa é a reforma tributária, que não pode mais ser postergada. A elevada carga de impostos é a principal barreira para as empresas, independentemente de seu porte, por incidir de modo direto sobre os próprios investimentos e retirar recursos que poderiam ser aplicados em empreendimentos produtivos.
Outro fator a ser considerado é a redução dos juros/spread, cujas taxas elevadíssimas aumentam os riscos econômicos do investimento, afetando-o por três vias: ao agravar as despesas financeiras, minando os recursos a serem investidos; ao inibir a demanda dos produtos industriais; e ao estimular a especulação financeira.
Impostos e juros escorchantes são os ingredientes do terceiro grande obstáculo a ser solucionado, em especial para as pequenas e médias empresas, que constituem a maioria do parque industrial transformador do plástico em nosso país: a escassez de recursos próprios, carência ainda não sanada integralmente pelas linhas de crédito do BNDES, devido à dificuldade de acesso para estas empresas provocada pela burocracia intransponível, exigências e garantias exageradas. Além disso, diante da dificuldade de utilização dos fundos públicos garantidores, os bancos repassam recursos em valores inferiores aos demandados, a fim de diminuir riscos. A criação do Proplast pelo BNDES, os trabalhos desenvolvidos no âmbito da Política de Desenvolvimento Produtiva (PDP), lançada em 2008, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a isonomia do IPI na cadeia produtiva prometem trazer uma grande avanço como ações necessárias para o aumento da competitividade do setor.
É preciso, também, ampliar os sistemas de informação sobre linhas de apoio ao investimento e os fundos de recursos para inovação e P&D, cuja precariedade é bastante nociva, em especial para as pequenas empresas. Finalmente, será necessário adotar medidas eficazes para reverter o problema do câmbio sobrevalorizado. Assim, é fundamental que a presidente Dilma Rousseff dê prosseguimento aos entendimentos iniciados por Luiz Inácio Lula da Silva no recente encontro do G20. Caso a diplomacia não funcione, o governo brasileiro terá de adotar medidas unilaterais firmes para conter a valorização do real e garantir um mínimo de competitividade para a indústria nacional.
Outro objetivo importante da indústria do plástico, assim como de todo o parque manufatureiro do Brasil, é dar continuidade às ações voltadas à preservação ambiental e reversão da tendência de aquecimento da Terra. Esse é um compromisso que transcende à agenda internacional e aos eventos multilaterais, como a Conferência do Clima do México (COP 16), em Cancun, de 29 de novembro a 10 de dezembro de 2010. É primordial o engajamento dos setores produtivos na busca pela produção mais limpa e no desenvolvimento de produtos cada vez mais compatíveis com os paradigmas da sustentabilidade.
*José Ricardo Roriz Coelho é presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast), da Vitopel e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP.
10/01/11
Para estimular a atratividade brasileira
*Por Márcio Peppe
É sempre estimulante receber boas notícias sobre o sucesso internacional do Brasil. Este é o caso do resultado da Pesquisa BDO Ambition 2010: Oportunidades Globais, realizada pela rede BDO com líderes empresariais em 10 países, que mostra o nosso país como um dos destinos preferidos das empresas que planejam se expandir.
De acordo com a pesquisa, o Brasil está na terceira posição, ao lado dos Estados Unidos, entre os mercados escolhidos para a expansão internacional futura das empresas consultadas, com 14% das citações, atrás apenas da China (com 32%) e da Índia (20%). Outro dado trata do sucesso obtido pelas empresas que de fato expandiram-se internacionalmente. Segundo os líderes empresariais consultados, o mercado brasileiro está em segundo lugar entre os mais bem-sucedidos destinos para seus negócios, atrás apenas da Rússia, e à frente de China (em terceiro) e Alemanha (em quarto).
De fato, são boas notícias que vêm de um mercado globalizado. No entanto, é possível melhorar a atratividade brasileira diante dos players mundiais. Para isso, o país tem de investir esforços e recursos para corrigir barreiras que desestimulam o empenho dos estrangeiros em realizar investimentos produtivos por aqui.
Entre as barreiras, destaco a pesada carga tributária que incide sobre o setor produtivo, sem me esquecer do sistema legal caótico e do inconstante marco regulatório que oferece brechas à guerra fiscal. A solução para o problema: promover uma ampla reforma tributária que permita desoneração das empresas. Outro problema refere-se à burocracia oficial, que exige dos empreendedores investimentos que poderiam ser canalizados para a produtividade. Nessa linha, além da adoção de medidas para desburocratizar a relação entre os governos e o setor privado, é preciso estimular os programas, leis, normas e iniciativas de apoio à abertura e consolidação de empresas.
Mesmo sendo lembrado no estudo como um país com infraestrutura adequada ao crescimento, há muito a fazer nessa área. Para isso, é preciso conhecer o potencial atual, avaliar as necessidades futuras, planejar e executar as ações necessárias para adequar as estruturas e contar com os recursos financeiros, humanos e técnicos que garantam a constante evolução do segmento. Por falar em recursos humanos, será necessário investir decisivamente em educação e na formação de pessoal capacitado para atender às crescentes exigências do mercado de trabalho.
O Brasil também foi citado como destino ambicionado principalmente por empresas norte-americanas, europeias e chinesas. Isto indica ser necessário ampliar e diversificar nossas ações voltadas a estimular a atração de empresários de outras regiões, seja no âmbito diplomático, das agências oficiais de integração ou das entidades representativas do empresariado.
Comemorar resultados positivos de pesquisas que mostram o grande potencial de crescimento do Brasil é muito prazeroso. Mas não podemos ser negligentes e descuidar das condições que podem estimular a atração de mais e melhores investimentos produtivos a nosso país. São muitos os desafios, e cabe a nós seguirmos preparando as condições para que o Brasil esteja muito em breve no rol dos países reconhecidos não apenas pelo seu potencial, mas, especialmente, pela sua condição de economia desenvolvida.
*Márcio Peppe é sócio-diretor de Auditoria e responsável pela área de Outsourcing da BDO no Brasil, firma-membro integrante da quinta maior rede do mundo em auditoria, tributos e advisory services.
03/01/11
Brasil avança entre países que atraem empresas em expansão
*Por Eduardo Pocetti
Não há novidade no fato de o Brasil encontrar-se hoje em uma posição de destaque no mercado global. Empiricamente, ou tomando como base indicadores e dados econômicos e sociais globais, percebe-se que nosso país ganhou visibilidade e despertou interesses mais atentos entre os players mundiais. Mas nada melhor para comprovar esse tipo de percepção do que a realização de uma pesquisa internacional. A rede BDO promoveu em dez países, incluindo o Brasil, um estudo com líderes de empresas de médio porte com atuação e projetos de expansão internacional para apurar quais as oportunidades e eventuais barreiras existentes para o crescimento global das companhias.
Entre os diversos indicadores apontados pela Pesquisa BDO Ambition 2010: Oportunidades Globais, destaco especificamente o crescente interesse que o Brasil tem despertado entre as empresas que planejam se expandir internacionalmente. Nosso país é atualmente um dos mais lembrados quando os projetos de expansão são traçados. Por exemplo, nos últimos cinco anos, as companhias que se expandiram internacionalmente tinham o Brasil como décimo destino preferencial, de acordo com o estudo. Já na lista de projetos de crescimento global para os próximos anos, o país ocupa a terceira colocação, ao lado dos Estados Unidos e atrás apenas de China, em primeiro lugar, e Índia, em segundo.
Trata-se da performance de destaque entre os quatorze países ou regiões mais citados pelos entrevistados, já que o Brasil passou de 7% dos investimentos dos últimos cinco anos para 14% das intenções de expansão internacional das empresas de médio porte. Com a nova configuração global, deixa para trás no ranking dos investimentos em expansão a Rússia, Reino Unido, Oriente Médio, Alemanha, México e Cingapura, que antes figuravam à sua frente.
Outro indicador de destaque no estudo é o que mostra o otimismo das empresas nacionais em relação à expansão internacional, já que 68% delas devem investir fora do território nacional de forma mais agressiva do que fizeram em 2009. Os principais destinos ambicionados pelos brasileiros são os países vizinhos (na América do Sul), os demais países do BRIC (Rússia, Índia e China) e nações da região Ásia-Pacífico (Aspac). Por outro lado, em especial as empresas de Estados Unidos, Europa e China foram as que mais destacaram o Brasil como destino atrativo à expansão.
É interessante perceber que as empresas internacionais enxergam no Brasil um território propício às oportunidades na área das fusões e aquisições, segmento de negócios que vem de fato crescendo agora em 2009. A disponibilidade de recursos tecnológicos adequados à expansão é citada como outro fator de atratividade, assim como a taxa de crescimento nacional e a demanda crescente por produtos importados.
Claro é que ainda temos certas questões a resolver internamente, como a carga tributária, a burocracia, ou a necessidade de investir ainda mais em infraestrutura para atender às demandas do crescimento. Entre as barreiras e desafios existentes no Brasil citados pelos entrevistados, destaque para o protecionismo estatal ou barreiras comerciais, a corrupção e questões éticas e a dificuldade para encontrar localmente os gestores e pessoal ideais para tocar os projetos. São, de fato, problemas a serem solucionados em nosso país, mas, ao final, percebemos que o Brasil adquiriu uma posição de real destaque no mercado global.
*Eduardo Pocetti é CEO da BDO no Brasil, firma-membro integrante da quinta maior rede do mundo em auditoria, tributos e advisory services.
14/09/10
Comércio exterior precisa de Ministério
*Por Samir Keedi
A participação brasileira no comécio mundial continua aquém de sua potencialidade. Ainda representamos apenas cerca de 1% na corrente de comércio das transações internacionais.
Desde meados de 2000 vimos solicitando a criação do nosso Mincex – Ministério do Comércio Exterior. Ou quiçá, conforme o pedido de alguns colegas, um Ministério do Comércio Exterior e Logística. A sigla poderia ser Mincelog, embora isso se pareça mais com nome de medicamento. O que seria bom, quem sabe – um remédio para esses assuntos.
No início da década, acreditávamos que o atual MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – sofreria essa transformação. Em especial, porque a Camex tinha um excelente secretário-executivo para a posição. Entendíamos que o país caminhava, célere e inexoravelmente, para isso, que o status de ministério era apenas uma questão de tempo. O MDIC deixaria esta parte internacional, trabalhando em conjunto, claro, com o novo ministério.
Mas nos decepcionamos uma vez mais. E no início de 2003, sofremos nova decepção. Achamos que, de novo, o trem da história foi perdido. E, pior, em plena estação. Nomeamos para o ministério uma figura de peso do comércio exterior. De quebra, criamos uma montanha de novos ministérios. Mesmo assim, o comércio exterior e a logística continuaram no limbo, sempre como atividade marginal.
Voltamos ao assunto agora por várias razões. Uma é que vamos ter em breve um novo governo e, quem sabe, possamos influir na formação do próximo ministério. Também temos a atual situação do retrocesso no comércio exterior brasileiro, sobre o qual muita tinta, papel e tela têm sido gastos. Em 2009, voltamos a 1974. Retornamos à situação de exportadores de produtos primários, simples fornecedores de matéria-prima. Não bastasse isso, ainda vendemos minério de ferro aos chineses – e importamos trilhos deles, pagando várias vezes mais.
Seria cômico, não fosse trágico, conforme o popular ditado.
Nossa participação no comércio mundial continua aquém das reais potencialidades do País. Continuamos, como sempre, representando cerca de 1% na corrente de comércio das transações internacionais – nossa exportação, com cerca de 1,2%. Lembramos que já tivemos dias mais gloriosos, com 2,37% na exportação, em 1950. Aqui também regredimos à metade. Ou seja, estamos em época de retrocesso. Também em relação ao nosso PIB – Produto Interno Bruto –, o comércio exterior representa menos de 20%.
O mundo transaciona cerca de 50% do PIB mundial.
Alguém poderia indagar o que representaria esse novo ministério e como ele poderia ajudar o País. Entendemos que ele pode centralizar todas as ações relativas ao comércio exterior, de modo a se ter uniformidade no trato da matéria. Acabar com a questão de cada personagem puxar a brasa para a sua sardinha – como se o comércio exterior fosse feito por partes e não como um todo, onde o que interessa é o país e o bem-estar da sua população.
Mas não pensemos que o assunto estará resolvido apenas criando-se um novo ministério. Obviamente não, e, na realidade, ai é que começa o grande trabalho. É preciso aglutinar todas as cabeças debaixo desse único chapéu. Traduzir o esforço burocrático empreendido e conseguido, em ações efetivas de exportação e importação.
É preciso que saiamos da humilhante posição de uma das piores relações mundiais de comércio exterior, conforme já citado. O Brasil precisa assumir, finalmente, um posicionamento coerente com seu tamanho, com suas potencialidades, com seus recursos naturais e com seu imenso território, o maior do planeta em termos agricultáveis.
Portanto, prezados "fazedores" do nosso comércio exterior, novo governante, empresários brasileiros – estes os verdadeiros artífices da produção, exportação e importação, e ninguém pode esquecer de que quem faz é a empresa, o empresário, e não o governo – vamos todos entrar em uma nova era. Vamos acompanhar em breve um novo governo e uma nova década que se inicia.
É mister a criação desse novo ministério. E a aglutinação dos mais de 300 órgãos, de acordo com estudos feitos e divulgados no início dessa década, envolvidos no comércio exterior. Que o nosso país comece a ter de fato uma política para a área. Que tenhamos uma lei única de comércio exterior, como muito se fala e nunca se faz.
Resumindo, precisamos ter, finalmente, os olhos voltados para esta importante área do desenvolvimento. É necessário criarmos uma cultura na área, e isso nós não temos. Tudo é feito de improviso, de modo não planejado. As coisas vão apenas acontecendo. Isso tem de mudar radicalmente. A criação de um plano de desenvolvimento dará as diretrizes necessárias para o futuro e a ações que tornem o país um player de peso nas relações e trocas internacionais.
*Samir Keedi é consultor da Aduaneiras, autor de vários livros em comércio exterior, transporte e logística, tradutor do Incoterms 2000 e membro da CCI-Paris na revisão do Incoterms 2010.
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